901 Norte

AMEAÇA AO TÍTULO DE PATRIMÔNIO CULTURAL DA HUMANIDADE

Empreendimento imobiliário estimado em 700 milhões de reais, situado ao lado do Colégio Militar de Brasília (SGAN 901), que ignora a legislação do tombamento do conjunto urbano reconhecido como Patrimônio Histórico da Humanidade  pela UNESCO, está sendo elaborado “às pressas” para a implantação de uma área hoteleira com torres de 65 metros de altura, onde a destinação original previa uso institucional com até 12 metros de altura.

Foto: Áreas centrais do Plano Piloto com o terreno da expansão do SHN marcado em vermelho

Segundo especialistas, Brasília não carece de mais hotéis na área central e sim de equipamentos públicos,  segurança pública, serviço social e limpeza urbana. Há ainda problemas de tráfego e carência de vagas para estacionamentos. Lotes para hotéis que já existem estão vazios. Por que ferir o tombamento para não preencher nenhuma necessidade REAL da cidade?

Foto: Simulação tridimensional dos gabaritos propostos pela TERRACAP. Em vermelho, verificam-se as dimensões do que é proposto e do potencial de dano ao centro da cidade, com a alteração do plano original reconhecido pela UNESCO e potencial de criação de problemas de tráfego e estacionamento em horários de pico. Segundo a NGB permitida, as construções ali devem ter até doze metros, ou três pavimentos. Como se vê claramente nas imagens, grande parte da área pretendida corresponde, na face sul do eixo monumental, ao parque da cidade e lotes institucionais do SGAS.

O Estádio Nacional de Brasília é o mais caro dos doze estádios da copa, e até o momento sabe-se que será usado em três partidas. Depois disso pode transformar-se em um elefante branco de 700 milhões de reais. Terá sido apenas para justificar uma área hoteleira que trará lucro apenas para o governo do DF e alguns empresários? Acontece que a população do DF não precisa de mais um estádio ou mais hotéis, e sim de mais escolas, segurança pública e saúde de qualidade. E, o mais importante, até quando esse tipo de decisão unilateral e alheia à vontade pública, sem uma real consulta à sociedade civil organizada vai continuar acontecendo na nossa cidade?

Por que a proposta é questionável?

#Razões Técnicas

#Razões Sociais

#Razões Econômicas

Ação Civil do Ministério Público: A ação está parada enquanto o terreno está sendo licitado.

O que eu e você, como cidadãos podemos fazer?

#Manifesto dos Urbanistas por Brasília

#Manifesto Público

Nos próximos posts iremos desenvolver todas essas questões relativas ao Projeto Hoteleiro da Terracap para a Quadra 901 Norte.

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31 pensamentos sobre “AMEAÇA AO TÍTULO DE PATRIMÔNIO CULTURAL DA HUMANIDADE

  1. Já estou seguindo o blog (que ficou ótimo!!!) para me inteirar de todas as providências do grupo e claro, compartilho com vocês a opinião que nós como urbanistas e brasilienses temos a obrigação de fazer algo para impedir mais esta arbitrariedade com nossa cidade. Contem comigo!

    • Que bom Carla! Agora só falta o documento técnico com as razões da inadequação da proposta da TERRACAP para a área, a ser assinado e referendado por urbanistas e membros da comunidade acadêmica de Brasília, a ser enviado para as entidades representativas – Iphan (Nacional), IAB, Unesco, MPDFT, Sedhab, Ibram, Icomos. Obrigada pela sua participação!

      • Graças a DEUS a quadra 901 norte vai sair. Agora uma pergunta, aonde estavam os urbanistas por brasília estavam quando do aniquilamento do projeto urbanistico de brasília nos lagos sul e norte? A quadra 901 norte agride tanto os arquitetos? Mais do que as mansões projetadas pelos mesmos arquitetos? Esses arquitetos deveriam ir presos. É o sujo falando do mal lavado. criticam o governo, se os projetos dos próprios arquitetos ferem o tombamento, como o ILHAS do LAGO. Quem fez o projeto, o governo né?

    • E claro, da mesma forma que você estão se organizando contra o projeto, grande maioria dos 2 milhões e 600 mil brasilienses somos a FAVOR do projeto, por uma simples OTICA. O tombamento se mostrou um instrumento ineficaz de proteger. E pior, a UNESCO fica de ameaças, porque não retira logo o titulo e pronto, até Oscar Niemeyer assina em baixo. O que não pode é um grupinho de 200 pessoas querendo assumir as responsabilidade de 2 milhões, isso é um absurdo, eu mesmo quero uma revisão imediata do tombamento, querem tombar até área verde que é destinada a lojas, shoppings, hipermercados, escolas e por aí vai. Sabiam que o Brasília Revisitada pelo Lúcio Costa seria vetado pela lei do tombamento? Ninguem sabia disso né.

      • Sra. Yara, somos um grupo de 170 urbanistas. Mas somos muito mais cidadãos não urbanistas, porque o que nos une é a luta contra o desmando, o autoritarismo e a falta de transparência dos atos governamentais.

  2. Também estou nessa! Vamos nos mobilizar e fazer valer nosso conhecimento técnico e isento sobre esse assunto! A questão é de legalidade e justificativas técnicas, não pode ficar restrita ao campo da decisão econômica e política e ignorar a cidade reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade! Abs a todos!

  3. Cristina! Bom ver a população se envolvendo!
    Temos uma página no Facebook com bastante informação. Decidimos fazer o Blog para expandir a divulgação fora do Face.
    O link é esse:

    https://www.facebook.com/repudionovoshn

    Em breve iremos combinar alguma manifestação para darmos mais visibilidade. A idéia é fazer barulho mesmo!

    Abração

  4. Ao Crisstiano e a todos os arquitetos de Brasília: PARABÉNS PELA INICIATIVA. Realmente as instituições governamentais NÂO estão cumprindo o seu papel de “planejar, promover a participação da sociedade no processo de decisão sobre os assuntos da cidade, defender Brasília como Patrimônio Histórico Nacional e cultural da Humanidade”. Faço parte de uma FEDERAÇÃO em Defesa do DF, que congrega mais de 40 entidades representativas da sociedade civil do DF e é unânime nossa posição CONTRÁRIA A ESSA AAGARESSÃO À BRASÍLIA E À PARTICIPAÇÃO POPULAR NO PROCESSO DECISÓRIO. Desde o afrontamento à Portaria 314/92 (do tombamento à Brasília), onde está expressa a vedação de ocupação de áreas verdes (áreas non-aedificandi, que caracterizam a escala bucólica do projeto de Brasília), com a edição de uma Lei que permite a “regularização de invasões de áreas públicas” nos comércios locais da Asa Sul, abriu-se uma grande possibilidade de NADA MAIS VALER, DESSA LEGISLAÇÃO DE TOMBAMENTO. Um fato que deveria merecer orgulho de todos – a inscrição de Brasília como Patrimônio da Humanidade, pela UNESCO, tem sido permanentemente açoitado, enchovalhado, em detrimento do interesse público e em benefício de uma minoria descomprometida com a cidade, com a Capital da República, com a Cultura. Iniciativas como essa merecem nosso respeito e aplauso.

    • Oi Tania!
      Obrigado pelo apoio! Sua presença nessa briga é importante, uma pessoa conhecida pela combatividade e coerência nos posicionamentos. A produção da cidade não acontece sem a mão executora que é a indústria da construção civil, de acordo com diretrizes colocadas tecnicamente pelo Poder Público. Infelizmente os papéis se inverteram nos últimos anos chegando ao inaceitável, e é por isso que estamos aqui nos posicionando contra esse projeto vergonhoso! Gde abraço

    • Tania! que bom lhe encontrar!!!! Estudamos juntas na Caseb e faço parte de um grupo de pessoas que moram em Brasília e que já moraram (como eu durante 40 anos) e temos amor pela cidade. Estamos no Facebook com um grupo que deseja se aliar a vocês mas não sabemos como. Precisamos acabar com os “ditadores” dessa cidade linda!!! E nós, antigos, comemos muita poeira!!!!!!!! Entre o Facebook na página “Corrupção é Crime” e, se vc é do Face lhe convidarei para o grupo fechado “Amigos de 1960”. Um beijo e contem conosco.

  5. Essa luta é mais intrincada do que parece, pois faz parte de um enorme quadro de ataques especulativos sucessivamente desferidos e sucessivamente exitosos, contra a integridade do Plano Urbanístico de Brasília. Desde a criminosa regularização das centenas de invasões das áreas públicas das SUPERQUADRAS, sobretudo da Asa Sul, até a transformação do importantíssimo Setor Terminal Norte (crucial para o futuro dos transportes públicos) em um Setor de Supermercados, passando pelo atual esforço de criação do uso misto nas 700 Sul, pela expansão do Sudoeste, por tantos crimes EXITOSOS, é absolutamente previsível que algum dano ocorrerá nesse ataque especulativo do SHN. A atuação do IPHAN é simplesmente criminosa, e a ela se associa a própria UnB, que serve com assessora de instâncias fundamentais para as várias frentes de ataque, sobretudo a partir do CONPLAN – que agora tem, como exceção de atuação, o Benny Schvarsberg, a contraditar, em isolamento, esses ataques, há cerca de um par de meses… muito pouco e muito tarde, infelizmente. Saibam que há URBANISTAS POR BRASÍLIA e URBANISTAS CONTRA BRASÍLIA. Estamos divididos, e o jogo por poder e por dinheiro está a jogar a cidade na “lixeira”.

  6. Sou favorável a expansão do Setor Hoteleiro Norte. Já foi aprovado e nada fere o tombamento de Brasília Patrimônio Cultural da Humanidade. Brasília como sede do Poder vivem aqui pessoas, que precisam de postos de trabalho, sabe-se que a nossa alternativa são os serviços. Com 70% de ocupação dos Hotéis pouco resta para eventos. Imaginem que hoje temos um total de 46mil espaços/pessoas. E nestas condições são impossíveis os negócios de eventos por falta de leitos na rede hoteleira.

    • Prezada Lucia,
      Perdão pela demora na resposta, mas é importante esclarecer que a expansão do Setor Hoteleiro Norte é tecnicamente equivocada, o que já foi reconhecido pelo Iphan e pela Unesco. Há diversas maneiras de criação de postos de trabalho e essa justificativa não pode ser aceita para um dano permanente a um bem mundialmente reconhecido. A ocupação hoteleira em Brasília sofre com os estímulos à moradia nesses empreendimentos que deveriam receber turistas e não moradores, vide a série de resorts à beira do Lago que na verdade viraram condomínios residenciais fechados. Se faltam leitos em Brasília porque será que desde 2009 foram lançados cerca de 9 empreendimentos “residenciais com serviços” em lugar de hotéis? Isso tudo merece muita reflexão de quem defende hotéis na 901 norte. Os problemas têm que ser corrigidos e não serem criados outros.

  7. Uma contribuição desde Curitiba, por razões óbvias de muitas coisas parecidas, como esta, em nossa cidade, como a proposta de financiamento de um estádio de futebol com trocas que propõe resolver problemas de investimento de capital para o capital, sem considerar a cidade e seus pertencimentos históricos.
    Aos que ainda não assistiram ao documentário,”Sagrada Terra Especulada(A luta contra o Setor Noroeste)”, que mostra parte de um processo semelhante, envio o link.

    • Prezado Rogério, agradecemos a participação. Lembramos que já estamos há algum tempo com nossa petição online contra os hotéis na quadra 901 norte (http://www.peticaopublica.com.br/?pi=P2011N15792).
      Realmente as obras para a Copa do Mundo estão sendo usadas com má-fé para justificar uma série de absurdos nas cidades-sede, desde agressões ao patrimônio cultural e histórico até criação de projetos meramente especulativos com o único objetivo de enormes lucros para alguns.
      O Estádio Nacional de Brasília está sendo construído para 70 mil espectadores em uma unidade da federação que mal tem campeonato de futebol, está disputando o primeiro lugar como a obra mais cara da Copa do Mundo e foi o único que o governo não aceitou o financiamento (e a fiscalização) do BNDES. A chave de ouro é o projeto hoteleiro para a 901 Norte que até hoje está nos planos do GDF.

  8. Para não ser grosseiro evito publicar o que penso dessa corja que po pura ganância esta levando “minha Brasília” para o caos Urbano e social.

  9. Parabéns! A sociedade civil terá que estar organizada e mobilizada para barrar as iniciativas que ferem os legítimos interesses dos cidadãos brasilienses. Essa é uma iniciativa que precisa ir á frente e atingir os seus objetivos. Apoio!

  10. Parabens pela iniciativa do que? PROTEGER UM TOMBAMENTO que mumificou a cidade? Um TOMBAMENTO que segrega? Pra min o tombamento é igual aquele DIPLOMA pregado nas paredes dos escritório de Urbanistas, Arquitetos, Paisagistas, e por que não, dos Médicos, Professores e Advogados. Papel é só status. Antes de 1987 Brasília não sofria com agressões urbanisticas importantes. Só foi tombar uma cidade jovem, foi que nem dar uma injeção LETAL na cidade, agora não pode colocar pastilhas nos prédios que fere o tombamento, não pode pintar a casa de uma certa cor, que fere o tombamento. Sabe o que vai terminar ocorrendo. A quadra 901 norte vai sair. Mesmo com a oposição dos arquitetos. E agora eu queria perguntar a cada um arquiteto que assina o manifesto. Aonde estava vocês durantes esses anos desde 1987? Ahhhh claro, os mesmos arquitetos que assinam o manifesto estavam agredindo o tombamento da cidade. Interessante pensamento, eu creio que o problema da quadra 901 norte não seja de ordem urbanistica, mas sim, de cunho comercial. Com certeza o PO que tem funcionários como presidentes da ABIH, Convention Bureau entre outros, não querem ver seus empreendimentos ameaçados pela concorrência. Eu sou a favor de mais hotéis. Não vejo mal nenhum nisso. Agora se for residenciais com serviços, aí a história muda, eu passaria a ser contra. Não vejo nenhum risco ao tombamento, agora em compensação as casas projetadas pelos mesmos arquitetos contra a quadra 901 norte agridem o tombamento da cidade invadindo áreas públicas nos lagos sul e norte. E aí aonde estavam os arquitetos nessa hora? Chega de CORPORATIVISMO.

    • Sra. Yara, o Tombamento do Plano Piloto é uma conquista, não apenas dos 2, 6 milhões de brasilienses, mas de todos os brasileiros. Brasília é Patrimônio Cultural da Humanidade, cidade única, de desenho moderno, com exemplares de arquitetura singular. Em São Paulo, a especulação imobiliária imperou e o trânsito da cidade não funciona e a cidade inunda quando chove. Ceder à especulação imobiliária leva a isso, máxima ocupação, mínima qualidade de vida. Em 1988, com a constituição e as eleições, a barganha política passou a fazer parte do dia a dia de Brasília e a “Terra”, desde sempre o maior capital da cidade, passou a ser usada de forma inescrupulosa. A 901 Norte faz parte desse processo, e estamos aqui, defendendo a nossa cidade, não apenas como arquitetos e urbanistas, mas como CIDADÃOS. A Sra., que se diz conhecedora do conteúdo do Brasília Revisitada de Lucio Costa, é mesmo a favor dessa negociata chamada 901 Norte, mesmo sabendo que ela se destina ao benefício de poucos para o malefício de toda a população do DF? Ou o seu depoimento é um depoimento encomendado?

  11. Não sou brasileiense, mas sou brasileira e entendo que, Independente se o Projeto é bom ou ruim o que fica mais patente é que estamos vendo. de norte a sul do país a emergência de uma nova ditadura. Agora não são mais os militares, mas os neo-ditadores de “esquerda” que se juntam aos ditadores do capital para inviabilizar um avanço da democracia participativa.
    A crise que vivemos é institucional, é de governança, é de democracia.
    Acorda Brasil! Estão querendo mudar até a Contituição, embrião da idéia de democracia participativca. Querem acabar com os conselhos, os orçamentos participativos, as Conferências e tudo que signifique participação efetiva da população na decisão de políticas públicas.
    O pior é que de tão novos que são, de tão pouco divulgados que são, estes espaços de poder tendem a desaparecer, antes de serem experimentados.
    Por falar nisto, alguém aí sabe do que estou falando?

  12. E a questão do setor noroeste?
    Seria necessário um posicionamento também por parte do grupo…
    A reserva indíiigena tem sido palco de todo tipo de violações de direitos…. conheçam o esquema midiático para apoiar e incentivar as práticas que vem ocorrendo no mapa brasilense:

    http://brasil.indymedia.org/media/2009/08//452273.pdf
    …………………..
    É só a ponta do iceberg……caso venha a tona todo o resto, pode vir a ser um escândalo sem precedentes…

    • Prezada, o entendimento do grupo em relação ao noroeste não encontrou ainda o consenso necessário. O projeto do bairro que não respeita o tombamento, o eco-marketing falacioso e a questão indígena extremamente polêmica são apenas algumas das facetas mas estamos abertos à troca de ideias.

  13. Reparação já! Só será permitido a construção de casas populares dentro do perímetro do Plano Piloto. Casas no plano piloto aos candangos remanescentes!

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