901 Norte

13 LOTES VAZIOS NO SHS E SHN – o mito da falta de leitos em Brasília.

A maior justificativa apresentada pelo GDF desde o início de 2011 para transformar a Quadra 901 do SGAN em uma expansão do Setor Hoteleiro Norte seria um suposto déficit de hotéis em Brasília para atender as demandas da Copa do Mundo de 2014.

OS NÚMEROS FALSOS SOBRE A COPA

Em que pese a falta de transparência do GDF acerca dos números relacionados à Copa do Mundo, segundo informações da mídia a FIFA exige que uma cidade-sede da Copa do Mundo de 2014 ofereça 1/3 da capacidade exigida do seu estádio em leitos de hospedagem temporária.

No caso de Brasília, para cumprir a exigência de um Estádio com capacidade para 70 mil pessoas – destinado a sediar a abertura da Copa do Mundo – a capacidade hoteleira mínima deveria contemplar cerca de 23 mil leitos.

Contudo, desde o início da discussão acerca de um suposto déficit hoteleiro em Brasília, o GDF tem divulgado uma necessidade de que Brasília forneça no mínimo 35 mil leitos de hospedagem. Na realidade esse número reflete metade da capacidade do futuro Estádio, e não 1/3.

Contudo, Brasília não sediará a abertura da Copa do Mundo mas somente 7 jogos intermediários da seleção brasileira em 2014, além da abertura da Copa das Confederações em 2013.

Assim, as exigências da FIFA em termos de capacidade do Estádio e número de leitos são muito menores do que os 70 mil lugares iniciais. Esses cálculos deveriam ter sido revisados e divulgados de forma transparente pelo GDF, o que não ocorreu.

Reforçando a inconsistência dos dados relativos ao suposto déficit de leitos no DF, a Associação Brasileira da Indústria Hoteleira no DF (ABIH/DF) – entidade legítima de representação do ramo hoteleiro – redigiu importante documento onde afirma que não há necessidade de expansão da rede de hotelaria de Brasília e que a avaliação que a FIFA realizou sobre a cidade não fez exigências quanto à expansão da rede existente.

O documento também alerta sobre o risco de “quebra” do ramo hoteleiro da cidade após a Copa do Mundo onde haveria um excesso de leitos disponíveis, e discorre com bastante propriedade sobre o aumento do número de leitos nos próximos anos e sobre as possíveis demolições que ocorrerão até a Copa para hotéis defasados darem lugar a edifícios mais modernos.

Dessa maneira percebe-se que, passados quase 2 anos do início do projeto hoteleiro para a 901 Norte, não há comprovação quanto à existência de um déficit de 10 mil leitos de hospedagem em Brasília para a Copa do Mundo de 2014 que justificasse a necessidade de ocupação da 901 Norte com essa atividade da forma como tem sido apresentada pelo GDF, como se fosse uma necessidade urgente e sem outras opções.

Todavia, dúvidas dessa natureza são inadmissíveis em um projeto com tamanho impacto na área tombada do Plano Piloto de Brasília e reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade.

A REALIDADE HOTELEIRA DA ÁREA CENTRAL DO PLANO PILOTO

Aprofundando-se na análise desse tema, é importante verificar a realidade da ocupação física e previsão de mudanças nos atuais setores hoteleiros da área central de Brasília.

O Setor Hoteleiro Sul (SHS) possui 31 lotes destinados a hotéis. Atualmente há 9 lotes vazios, além de 2 recentemente demolidos que darão lugar a novos empreendimentos.

No Setor Hoteleiro Norte (SHN) há 32 lotes destinados a hotéis. Atualmente há 4 lotes vazios, um dos quais de grandes dimensões (o chamado “Brasil 21 Norte”), além de 3 lotes em construção e mais duas torres no complexo Le Quartier, também em construção .

É importante destacar que entre os lotes vazios do SHN há a Área Especial A da Quadra 6 do SHN, de propriedade da UnB. Trata-se de um lote de grandes dimensões equivalente ao Complexo Brasil 21 do SHS, com potencial para comportar cerca de 1018 leitos.

Esse levantamento demonstra o grande potencial de milhares de leitos de hotéis que hoje encontram-se em estoque especulativo sem qualquer tipo de ação do GDF para reverter tal situação. São lotes que estão vazios há anos ou quem sabe décadas, sendo que desde 2001 o Estatuto da Cidade (Lei 10.257/2001) prevê a aplicação de IPTU progressivo e consequente desapropriação.

Destaca-se ainda que, de acordo com o documento divulgado pela ABIH/DF, nos próximos anos há a previsão de renovação dos setores hoteleiros sul e norte de Brasília por meio da demolição de mais 7 hotéis com mais de 15 pavimentos e 7 hotéis com até 3 pavimentos. Cabe lembrar que o PPCUB prevê a ampliação do gabarito dos hotéis de 3 pavimentos para 10 pavimentos, triplicando a capacidade desses edifícios.

Todo esse cenário comprova definitivamente que a 901 Norte não foi, não é e nunca será a única opção para solucionar uma suposta falta de leitos de hotéis no Plano Piloto. O que falta não são novas áreas para construção, mas gestão da terra condizente com a importância da cidade enquanto bem tombado e protegido.

A verdade vem à tona.

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No nosso próximo post vamos discorrer acerca das demais opções que haveria para suprir o suposto déficit de leitos de hotelaria na capital federal e que derrubam a tese de que a 901 Norte seria a solução para essa questão.

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Um pensamento sobre “13 LOTES VAZIOS NO SHS E SHN – o mito da falta de leitos em Brasília.

  1. Pingback: O PROJETO HOTELEIRO PARA A QUADRA 901 NORTE | #DefendaBrasília

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