Panorama geral

SOBRE O PARQUE DA CIDADE E POSTURAS DE GOVERNO

poente_no_parqueNesse período de debates acirrados sobre o PPCUB, muitas ações vão acontecendo em paralelo sem o devido destaque que mereciam ter. As intervenções previstas para o Parque da Cidade Sarah Kubitschek exemplificam essa situação.

O Parque da Cidade tem uma história que precisa ser respeitada e protegida tanto quanto a história de Brasília. Foi entregue à cidade em 1978 e é o maior parque urbano do mundo, com projeto conjunto de Lucio Costa e Oscar Niemeyer, participação de Athos Bulcão e o paisagismo vigoroso e marcante de Burle Marx. Desde a inauguração, aquele espaço passou por momentos alternados de abandono e de revitalização e sempre sofreu com problemas de gestão envolvendo decisões isoladas, desconectadas de um planejamento global e integrado.

As últimas notícias sobre intervenções no Parque da Cidade deixam a todos preocupados, principalmente diante do que temos visto nos últimos anos em Brasília: obras impostas praticamente sem discussão, de baixíssima qualidade e à reboque de prazos políticos. Anunciam-se gastos milionários e, para diversas questões, as notícias afirmam que não haveria sequer projeto finalizado. Não há detalhes sobre os projetos e as obras, além de soar estranho informações como os recursos envolvidos serem gerenciados pela Casa Civil, não se falarem das Secretarias envolvidas, não se ter notícias do Ibram ou do DPJ nessas obras. Transparência com as ações do GDF é o mínimo que Brasília merece.

A situação do Parque da Cidade e as notícias de obras mobilizaram diversas pessoas envolvidas com a manutenção da qualidade de vida de nossa cidade e o respeito ao nosso patrimônio, e resultaram um Manifesto-denúncia com abaixo-assinado que foi entregue ao Ministério Público. O documento teve como objetivo relatar o conjunto de ações que vem ao longo do tempo descaracterizando o Parque da Cidade Sara Kubitschek, e requerer a adoção de providências para cumprir-se a sua legislação de proteção.

O documento afirma, entre outros, que o projeto do Parque da Cidade não foi completamente implantado, parte da vegetação especificada não foi introduzida, não foram construídos os equipamentos propostos bem como a quase a totalidade dos passeios. Também é dito que a introdução de vegetação inapropriada e de vários equipamentos que descaracterizam o projeto original são constantes e que é fundamental a participação de órgãos ligados à preservação do patrimônio e ao planejamento urbano para o resgate do projeto original do Parque da Cidade.

Também se afirma que o decreto de proteção do parque manteve as edificações existentes sem qualquer justificativa ou estudo de impacto sobre o bem tombado, sendo que muitas dessas edificações foram construídas em desacordo com o projeto original. O documento também chama a atenção à falta de regulamentação do Plano Diretor e à ausência de definição dos limites (poligonal) do parque, além da introdução constante de vegetação, quiosques e novos espaços diferentes do projetado e sem qualquer tipo de padronização.

Destaca-se por fim que a falta de ações coordenadas entre órgãos “colocam em risco a preservação e o resgate dessa obra que se caracteriza como um dos marcos do legado deixado por Burle Marx” como demonstrado na criação de uma pista de caminhada que não dialoga com outras questões que deveriam visar à consolidação do paisagismo, criando, inclusive, um conflito por não verificar que tipo de impactos ações pontuais causam sobre o projeto como um todo.

O Urbanistas por Brasília entende que tal iniciativa deveria ser acolhida pelos responsáveis pela gestão da cidade como uma crítica pertinente, um alerta a ser ouvido e recebido de forma positiva resultando em ações concretas que revertam a situação denunciada, e não uma ameaça a manutenção de qualquer tipo de poder ou quebra de hierarquia interna.

Diante de todo o exposto o movimento Urbanistas por Brasília vem tornar pública essa iniciativa e apoiá-la, para que seja alcançado um planejamento responsável e integrado do Parque da Cidade, com decisões tomadas de forma coordenada pelas instâncias envolvidas em nome da preservação de sua história e da implementação integral de seu projeto original.

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5 pensamentos sobre “SOBRE O PARQUE DA CIDADE E POSTURAS DE GOVERNO

  1. Parabens pela iniciativa. Num momento em que a valorização do espaço verde para recreação e humanização da sociedade, não se pode achincalhar um espaço tão valioso.

    • notícia para Bernhard Griesinger
      Hallo Bernhard,
      durch Zufall habe ich hier Deinen Namen entdeckt, vielleicht gelingt es so, Kontakt aufzunehmen.
      Voltei para Alemanha faz 12 anos mas continuo sentir-me em casa no Brasil. Quando viajar para Europa nao deixe de me visitar.
      Feliz Ano Novo
      Wilfried

  2. Em primeiro lugar, deve-se ter bem clara a consciência de que o Parque serve à cidade, e não vice-versa; a compreensão de que se trata de um equipamento que ao mesmo tempo influencia e é influenciado diretamente pela dinâmica da cidade. Isso aumenta nossa responsabilidade como profissionais, o que julgo ser algo desafiador e empolgante. As demandas que surgem não podem ser negligenciadas, além disso, precisam ser tratadas com seriedade e zelo pelo partido original.
    Por um lado, não são poucos os exemplos de obras no parque onde os interesses políticos são inversamente proporcionais à prioridade pela boa arquitetura e preservação do patrimônio, o que é péssimo. Por outro lado, alguns elementos do projeto original do Parque são totalmente obsoletos e já não justificam sua implantação ou manutenção, haja visto a degradação do uso de alguns locais, que se tornaram até perigosos. Temos aí o pano de fundo para um diálogo rico.
    Ma um detalhe em especial me incomoda neste episódio da denúncia.
    Tive a oportunidade de ler o tal documento que, por exemplo, ao final, ataca de forma veemente a implantação da nova Pista de Caminhada dizendo: “…não dialoga(…), criando, inclusive, um conflito…”
    Também estive presente na respectiva audiência pública, e me lembro de estranhar o quórum de poucos gatos pingados. Curiosamente, nenhuma das assinaturas presentes no documento em questão se encontram na lista de presença daquela audiência.
    Seria aquela velha resenha dos que reclamam, mas não se dispõem a fazer?
    A atitude de profissionais do quadro efetivo do governo assinarem um documento dirigido ao Ministério Público “denunciando” trabalhos desenvolvidos dentro do próprio âmbito do governo por seus colegas, sem antes buscar o diálogo dentro de casa, para discutir a forma mais realista e apropriada de se abordar uma intervenção no Parque e sequer comparecer a uma audiência pública é de uma incoerência extrema, para dizer o mínimo.
    Aliás, isto sim pode acabar “criando, inclusive, um conflito”.

    • Apenas alguns esclarecimento:
      1 – A falta de publicidade sobre a audiencia pública foi um dos motivos que motivou a elaboraçao do documento. Ou seja, mesmo eu, que estava na SEDHAB só vim a saber sobre a audiencia da pista de caminhada dias depois que ela ocorreu.
      Portanto, reclamamos depois que soubemos.
      2 – A atitude de profissionais do quadro efetivo do governo assinarem o doc deixa clara a falta de abertura para discussao interna sobre aspectos relevantes na cidade. Mais uma vez, na verdade, NÃO existe diálogo nas secretarias e os técnicos, na maioria das vezes, não são convidados a discutir. As coisas são feitas sem transparencia.
      Alias, vale a pena, antes de dizer qlqr coisa, apurar os fatos como realmente acontecem. Mais uma vez, a democracia, assim como muitas ações de nosso governo são bonitas apenas no papel.

  3. Depois de 35 anos estranho ausência de uma visão paisagista para nosso melhor bem público de lazer do Distrito Federal, o Parque da Cidade Sara Kubstichek. Pelo mundo afora conhecemos belos postais de parques urbanos que deslumbram turistas com sua flora ornamental, aves silvestres e cursos d´água. Quando o Parque da Cidade chegou para alegria de todos esperava que a sua direção seguisse por esse caminho da beleza com triunfo da arquitetura paisagística.. Nada disso aconteceu e vemos aí, até hoje, a proliferação de eucaliptos e curso d´agua que parece um escoamento de esgoto. Não teríamos naturalmente um parque ecológico, porém tem tudo para ser. Vemos diversos aves silvestres que há décadas dominam o local e há mais espaço para tantos que depende de um planejamento nesse sentido. Por que não transformamos nosso Parque num parque de sonhos com suas belas árvores ornamentais, aves silvestre e cursos d´ água com mais sombra?

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