Panorama geral

Um acordo pelo futuro

Cristiano de Sousa
represa g1
fonte: epoca.globo.com

A ocupação de áreas irregulares no DF é assunto extremamente complexo e apresenta alguns aspectos que merecem maior reflexão. Apesar dessas ocupações poderem ser motivadas por necessidade financeira ou falta de opções no mercado percebe-se que, em muitos casos, o discurso não corresponde à realidade e demonstra a falta de noção de coletividade em nossa sociedade.

Em recente operação de desocupação promovida pela Agefis na Colônia Agrícola Samambaia, os moradores afetados promoveram protesto no local contra a ação da fiscalização. Nesse caso houve diversas notificações ao responsável pela construção de nove edificações em lote de 1.600 m² onde a previsão era para somente uma edificação.

Apesar dos dramas pessoais envolvidos e da aparente legitimidade de quem protestava, verificou-se que o lote foi adquirido por um alto valor, equivalente a um bom lote em área regularizada. Isso coloca em dúvida as alegações e argumentos do protesto e demonstra haver outros interesses envolvidos, como o da especulação imobiliária, além da grande irresponsabilidade dos envolvidos com as consequências das próprias ações.

É urgente todos refletirmos sobre o momento que vivemos. Não há mais espaço para ações individualistas onde aguardam-se soluções emergenciais de curto prazo providenciadas pelo Governo, visto por muitos como um ente abstrato e paternalista. A realidade atual exige a cada dia mais que vivamos conscientes do impacto de nossas ações em longo prazo e da responsabilidade de cada um nos problemas que afetam a todos indistintamente , principalmente os relacionados ao meio ambiente.

Vip buraco G1
fonte: g1.globo.com/distrito-federal

Quando a sociedade ignora as garantias individuais proporcionadas pela observância das leis, também acaba ignorando a segurança de sua própria sobrevivência e de sua família.

No caso da ocupação irregular, entre os diversos impactos ambientais destaca-se a impermeabilização do solo, a qual pode acarretar inundações e erosões devido à canalização de grandes volumes de água da chuva sem o rigor técnico necessário. Ao mesmo tempo se impede a absorção das águas pluviais pelo solo, interferindo negativamente na recarga de lençóis freáticos, de nascentes e cursos d’água. E quando a água acaba, os governos pouco podem fazer.

A destinação incorreta de resíduos também é uma prática individual que impacta à coletividade fortemente. Ao somar-se a produção de resíduos de uma cidade ou bairro em um dia, percebe-se como o impacto da ocupação humana sobre o meio ambiente é grave e preocupante. Sem uma destinação correta – que envolve a coleta seletiva – há contaminação do solo, da água, interferência nos ecossistemas, além de inundações provocadas por entupimento da drenagem pluvial.

 

taguaparquefinal G1A ação fiscalizatória do governo por vezes pode impactar a quem toma conhecimento dos dramas pessoais envolvidos, todavia é necessário haver um olhar mais amplo que considera a garantia dos direitos e da segurança da coletividade, assim como a urgência diante das situações de calamidade ambiental que se apresentam a todos nós diariamente. A situação é grave e demanda atitudes assertivas que em um primeiro momento nos comove mas são absolutamente necessárias.

Por fim, é importante termos consciência que o território do Distrito Federal é reduzido e localizado em uma área alta, de nascentes, ou seja, não possuímos grandes cursos d’água e o meio ambiente que ocupamos é extremamente sensível. Diante da crise hídrica que enfrentamos, com ondas de calor anormais e redução perceptível dos períodos de chuva, fica evidente que o DF já atingiu seu limite de suporte ambiental e é insustentável continuarmos a viver sem que nos responsabilizemos por nossos próprios atos diários e o governo esteja pautado pelas demandas ambientais. Cada um fazer a sua parte deixou de ser slogan e se tornou necessidade.

 

Ouça no link a seguir a arquiteta e urbanista Romina Capparelli tratando desse assunto no quadro “ASSIM É BRASÍLIA”, que vai ao ar na CBN Brasília sempre às quartas-feiras, às 9h50:

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ACORDO PELO FUTURO

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Romina Faur Capparelli é graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de Brasília e em Direito pelo Centro Universitário de Brasília. Consultora legislativa do Senado Federal, integra o movimento Urbanistas por Brasília e é membro do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB/DF) e do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios Históricos no DF (ICOMOS/DF).

Um pensamento sobre “Um acordo pelo futuro

  1. Muito boa a materia, Cristiano. Quem começa? Um pacto social seria a solução, se o Governo ouvisse a sociedade…. onerar a sociedade e não fazer sua parte, também, ninguém mais aceita. E a sociedade, tem consciência de seus atos? No mundo, essa consciência foi adquirido através da educação e do rigor no cumprimento da lei. Temos iessas condições em Brasilia, no Brasil? Não fazer nada, também, é imposdiv. Alguns já começaram há algum tempo, cobrando do Governo intormações e ações compatíveis. Mas este governo sequer da resposta aos questionamentos e as sugestões. Só
    Procurando o Papa…

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